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Thin White duke

Obrigado David Bowie, por me fazeres companhia nas minhas noites de estudo. A tua música torna as directas muitos mais suportáveis.

Quem muito vive, muito morre. Vive com muita intensidade e em cada acto deixa para trás um pouco de si. E quem muito lê, quantas vidas em mundos de fantasia já viveu só para morrer quando fecha as páginas do livro. Posso dizer verdadeiramente que já vivi séculos por entre volumes. Já fui assasinos e investigadores, jogadores torturado, meninas com vontade de casar, sacerdotisas e conquistadores de (novos) mundos. Já viajei por todo o mundo e sem sequer sair do sofá. Por vezes sinto-me com séculos de idade, e no entanto não tenho mais que duas décadas de existencia. Mas a experiencia fantasiada, livresca é completamente insuficiente devido à sua desnidade espectral. Confere sabedoria, confere conhecimento e dá material para que se construa um mundo inconsciente rico e diversificado. Mas não é suficiente. A vida é agora e o que importa realmente é a experiencia do dia a dia. Porque a vida num mundo fantasiado tem tão pouco de real como de satisfatório. Daí ser importante gravarmos a nossas história com o cruel cizel da vida. Morrendo muitas vezes, mas cresçendo sempre um pouco mais.

Ah tirem-me os sonhos arrabatadores. Todos aqueles que provam uma gota do divino néctar da imortalidade para sempre irão lutar com a sua própria vida.
A centelha que ousaram roubar aos deuses, lentamente irá consumir os seus espíritos, até que deles só restem cinzas.
Loucos e cegos, tentam controlar forças universais, mais vastas do que a sua mente consegue conçeber.
Intoxicados com os fumos do atanor, julgam-se possuidores do ouro, quando apenas alucinam riquesas. (Como será possível distinguir o que é perene, o que é verdadeiro, quando estamos confinados à mesma mente que alucina?)
A árvore da vida leva décadas a crescer, e antes de dar frutos os homems passam fome.
Se chegar a crescer sequer. Nem sempre as sementes cresçem em todos ao solos, alguns por si só são agrestes à vida. Que será feito dos solos áridos e cheios de sal?

Oh triste aspirar às estrelas! Tristes sonhos impossíveis de concretizar! Não há nada mais trágico que o cadáver de um sonho. E nada mais ledo que uma obra feita.
Mas o mundo é um cemitério de sonhos, um jazigo de aspirações e amores não correspondidos. O curioso é que no meio de todas estas campas nasçem flores e cipestres. Que se elevam alcançando os céus. Quase como se tantos cadáveres, preparassem o solo, para que algo nesse deserto árido podesse florescer. Talvez os solos agrestes não estejam assim tão perdidos.

Terra Mítica

Terra mítica lá no longe lá no além

terra perdida entre sonhos de alguém

terra de promessas terra de bejos

que se esconde por entre as brumas dos desejos

 

terra onde o sol se perde por entre as estrelas a nascente

Terra onde resplandeçe o desejo ardente

terra onde palpita o sonho pujante

terra onde nos encantam os murmúrios de levante

 

Terra do mar e da eterna verdade

Terra, serena, ponte para a eternidade

Que há no abismo entre dois seres humanos

Deveres Sagrados e desejos mundanos

É como se o meu pôr-do-sol não fosse o vácuo da despedida, mas a esperança de uma antemanhã, na qual a aurora vai pintar de orvalho a flores desidratadas dos campos. Os primeiros raios matinais vão lentamente ofuscando o pálido cintilar das estrelas, deixando para trás noite e o seu brilho misterioso e solitário.

Tenho medo dos sonhos que nunca terei. Tenho medo das paisagens que os meus olhos nunca poderão ver. Tenho medo de todas as linguas nas quais nunca serei capaz de dizer palavras de amor.  Tenho medo dos futuros que nunca virão a aconteçer, sementes que deitei em vão na terra ou sonhos que disso não passaram. tenho medo dos livros que deixei por ler. Tenho medo das ciências que nunca dominarei e dos conhecimentos que ignoro desconhecer.  Tenho medo dos abraços que não dei e das lágrimas que evitei derramar.

We are the music-makers

We are the music-makers,
And we are the dreamers of dreams,
Wandering by lone sea-breakers,
And sitting by desolate streams;
World-losers and world-forsakers,
On whom the pale moon gleams:
Yet we are the movers and shakers
Of the world for ever, it seems

With wonderful deathless ditties
We build up the world’s great cities.
And out of a fabulous story
We fashion art empire’s glory:
One man with a dream, at pleasure,
Shall go forth and conquer a crown;
And three with a new song’s measure
Can trample in empire down.

We, in the ages lying
In the buried past of the earth.
Built Nineveh with our sighing,
And Babel itself with our mirth;
And o’erthrew them with prophesying
To the old of the new world’s worth;
For each age is a dream that is dying,
Or one that is coming to birth.

Ode
by Arthur O’Shaughnessy [1844-1881]