Ah tirem-me os sonhos arrabatadores. Todos aqueles que provam uma gota do divino néctar da imortalidade para sempre irão lutar com a sua própria vida.
A centelha que ousaram roubar aos deuses, lentamente irá consumir os seus espíritos, até que deles só restem cinzas.
Loucos e cegos, tentam controlar forças universais, mais vastas do que a sua mente consegue conçeber.
Intoxicados com os fumos do atanor, julgam-se possuidores do ouro, quando apenas alucinam riquesas. (Como será possível distinguir o que é perene, o que é verdadeiro, quando estamos confinados à mesma mente que alucina?)
A árvore da vida leva décadas a crescer, e antes de dar frutos os homems passam fome.
Se chegar a crescer sequer. Nem sempre as sementes cresçem em todos ao solos, alguns por si só são agrestes à vida. Que será feito dos solos áridos e cheios de sal?
Oh triste aspirar às estrelas! Tristes sonhos impossíveis de concretizar! Não há nada mais trágico que o cadáver de um sonho. E nada mais ledo que uma obra feita.
Mas o mundo é um cemitério de sonhos, um jazigo de aspirações e amores não correspondidos. O curioso é que no meio de todas estas campas nasçem flores e cipestres. Que se elevam alcançando os céus. Quase como se tantos cadáveres, preparassem o solo, para que algo nesse deserto árido podesse florescer. Talvez os solos agrestes não estejam assim tão perdidos.
Os solos agrestes estão a nossa espera.
Belo texto. Bom ano 2012.