5 de Outubro 1987, sigo por entre vultos. Evito encontões, choques no escuro, colisões sem sentido. Desperto e vejo um corpo nú. Perto dele muitos outros corpos despidos. Morte…sofrimento…dor. No meio do desfile fúnebre, corre um rio de um líquido vermelho espesso. Líquido esse que noutros tempos dentro deles correu. Hoje o líquido deixou o seu leito. Secou sem conheçer foz. Terrível destino este! O de correr e depois morrer…é preciso ser estoico…conheçer o segredo de viver com o sofrimento de existir. Se é que existe um segredo! Nem todos os mistérios podem ser resolúveis. É impossível resolver um puzzle de círculos. Ou perçeber quem surgiu primeiro o ovo ou g’. Podemos dizer que foi um réptil… ou que foi deus. Pero quem ouve os biologos ou os bispos de cultos do tempo de jesus cristo? E certos mistérios nem o próprio deus consegue resolver. Existir que enorme mistério…viver e morrer…sem propósito pré-definido. Sempre regidos por um impossível destino. Controlo? Que controlo poderemos ter? Este corpo nu pode escolher? Pode…foi suicídio. Os outros homens…nem por isso…mortos, um por um (cruelmente deveremos dizer!). Motivo do crime? É preciso motivos? O criminoso morreu…suicidou-se! É justo! Olho por olho…dente por dente. Que rico negócio! Muitos dentes por um de oiro…ups…perdemos todos os dentes.
(texto muito non sense escrito sem utilizar uma única vez a letra a, que é a letra mais comum da língua portuguesa. Neste post pertendo homenagear Georges Persec, escritor francês que escreveu uma novela de 300 páginas, de boa qualidade (juro!), sem utilizar uma única vez a letra e)
o equilíbrio entre a luz e a sombra tb é “sentivel”.
também gostei do exercício e da homenagem.