Publicado por: maryav | Janeiro 26, 2010

Aos homens

Nós Deuses invejamos os homens, do alto dos nossos tronos celestiais ouvimos as suas inúteis preces e escolhemos sempre ignorá-las. Dizem-se infelizes, dizem-se frustrados. Querem na sua ingenuidade ser como nós. Aquelas loucas crianças não percebem que por si só são gloriosos. A sua natureza é frágil, é certo. Mas a sua mente é fecunda, a sua coragem grande e com a sua inteligência e audácia conseguem ultrapassar a sua fragilidade. E é precisamente o contraste entre a sua fragilidade e aquilo que eles conseguem alcançar que os engrandece. É da sua fraqueza que nasce a sua força, é do seu desespero que nasce a arte. A sua memória enquanto indivíduos não perdura, mas a sua marca estará para sempre impressa na consciência da humanidade. E quando a humanidade se extinguir, serão recordados pelos imortais que sempre os invejaram.

Publicado por: maryav | Janeiro 25, 2010

Aos Deuses

Nós homens sempre invejámos os Deuses! Esses seres omnipotentes que
transcendem a morte, sentados calmamente nos seus plácidos tronos celestiais. Nunca
na sua existência estiveram submetidos a este terrível carrasco que é o destino fatal. A
natureza humana é infinitamente frágil, este corpo quebradiço e esta alma a que
chamamos consciência efémera. Toda uma vida, por mais grandiosa que seja não passa
de um interstício entre nadas. Mas enquanto que existe consciência tentamos transcender
a cruel tapeçaria tecida pelos fados. A nossa ambição é infinita! Queremos a apoteose! E
não nos falta a coragem para a alcançar.
Passo a passo, osso a osso, tentamos fazer ou criar algo suficientemente grandioso para
perpetuar a nossa memória. Pela arte, pelo heroísmo, pela reprodução, conseguimos
perdurar na terra, ser sempre um pouco mais, transcender a nossa essência. Mas depois
vêm o barqueiro, leva-nos para longe, os nossos feitos são lavados nas águas do
esquecimento do rio Hades e com eles a nossa memória.

escrito para português

Publicado por: maryav | Janeiro 24, 2010

Dançemos

Vamos dançar;
Neste ritmo louco e demente.
Vamos dançar até cair
Esta fútil dança descontente

Deixemos ritmos passados
Dançemos no presente
Ignorando outros fados
E a voraz vida doente.

Publicado por: maryav | Dezembro 6, 2009

Nevous as sheer

for my cambridge inetrview…tão nervosa que nem sequer consigo escrever como deve ser!

Publicado por: maryav | Novembro 17, 2009

O cheiro a maresia aflorava pelas suas narinas dentro. O suave toque da chuva a acariciava a sua pele curtida pelo sol. A sua expressão facial, um tanto ao quanto vaga, como se encontra nos mais profundos desvaneios. O olhar perdido no horizonte fixo nas formas abstractas de que os sonhos feitos. Ao mesmo tempo, as suas mãos puxavam maquinalmente as pesadas redes de pesca. Já estavam gretadas, as mãos. A sua cara também estava coberta por sulcos profundos. O cruel mar, que lhe dava de alimento, tinha-lhe tirado tudo. A sua vida, a sua juventude, a sua alma. Agora apenas restava a noite. A eterna ausência, caracterizada pelo vazio. Não passava de uma reles carcaça de um homem…um pescador de coisa nenhuma. Alguém que pesca porque pesca porque pesca sem ter que pescar.

Publicado por: maryav | Novembro 12, 2009

Who’s cooking monsters in the kitchen?

Who’s cooking monsters in the kitchen? xx
Who keeps a knife tucked in her garter? 
Who keeps you nervous like screaming motorcycles? 

You keep the fire burning, 
I’ll keep the water running, 
We’ll know it’s over when they turn out the lights 

Whos high strung thinking about it 
Couldn’t put the pieces together like they belong to one another 
Yeah you & me girl 

Who dials that son 
And makes good girls go wrong 
The eyes of the night 

Spiralling arrows at my coffin 
Is that you (hoo-hoo-hoo, hoo-ee-hoo, hoo-ee-hoo) 
(the night) Whose slippery fingers found a way 

You keep the fire burning, 
I’ll keep the water running, 
We’ll know it’s over when they turn out the lights 
and they might… 

Who dials that son 
And makes good girls go wrong 
The eyes of the night 
Who holds the door 
And lightning strikes us all 
The eyes of the night 

nobody told me ’bout the eyes… (eyes of the night) 
nobody told me ’bout the eyes of the night 

(eyes of the night, Star light mints)

Efeitos colatrais de uma maratona de demons.

Publicado por: maryav | Novembro 9, 2009

ssConfia os teus olhos ao oceano;
Mergulha a tua alma no mar
Quando a noite escura não tem fim
lembra-te de mim…
lembra-te de mim…
(lido nalgum lado)

Publicado por: maryav | Novembro 8, 2009

Exorcisando Pessoa II

Talvez…eu não goste do desconhecido.
Apenas o agora me inspira, apenas o aqui me atrai.
Apenas o conhecido me sustenta.
Quando a sede de infinito se vai.

Talvez só goste de aquilo que conheço;
Pois o amor vem da curiosidade
E só me suscita curiosidade aquilo que procuro saber.
É com loucura talvez, com obsessão,
Que me dedico a tentar encontrar não sei bem o quê,
Demente, lunática, procuro sempre mais.
Não é procurar só! É precisar sempre de mais!
Ópio meu! Veneno meu! Minha envolvente cocaína!
Meu céu e meu inferno.
Ter tudo sem tudo viver

A minha mitologia pessoal está cheia de infinitas narrativas de aquilo que já fui.
A alma essa estará eternamente à mercê da crual lógica inerente ao mundo.
Padrão desconcertado de arte;
Vivo nem mundo à parte;
E existo para todos menos para mim.
Belo camaleão!
Mudo consoante a situação;
Viverei para sempre sem fim.

Pessoa perfeita;
Vida desfeita;
Nesta inútil tentativa de agradar;
No meio de tudo isto perde-se o eu.
E sou tudo para todos menos para mim.

Publicado por: maryav | Novembro 6, 2009

bst

From now on is all blood sweat n’ tears. Oh my!

Publicado por: maryav | Novembro 5, 2009

Recantos

Nas cálidas tardes de verão sempre gostei de deambular pela baixa da minha cidade. Palmilhar toda a área e explorar mesmo os cantos mais reconditos. De alguma forma, no meio de todas os meus passeios ia sempre parar a uma pequena livraria. A livraria só por si era carismática. À entrada estava um gato preto, era para comer os ratos dizia o empregado. Mas não há ratos nesta zona, pensava eu, mas isso era porque o gato os comia a todos. As paredes estavam cheias de livros, sentia-se aquele cheiro característico do papel que há muito tempo que está encerrado. Os sabores olfactivos convidavam-nos a abrir os livros e a embarcar numa aventura tal que se abandona completamente a realidade e nos emaranhamos num profundo mundo de sonho. A vantagem de ser uma livraria pequena, é que os donos só compravam os livros que gostavam. Assim todas aquals estantes que cobriam as paredes, estavam repletas de livros que era seguro que nos deixassem presos às páginas. Talvez alguns dos melhores livros que já li froam comprados, naquela ridícula loja. Era também nessa bonita livraria, que eu conheci o homem dos olhos arco-íris. Com um só olhar deixava-me presa á sua face. Perdia-me no seu turbilhão caleidoscópico de cores. Mas eram sobretudo as suas palavras e o seu intelecto acutilante que me enfeitiçavam. Por vezes passavamos horas a falar um com o outro. O tempo parecia parar enquanto conversavamos sobre o nosso futuro, sobre os nossos sonhos, sobre o mundo e sobre o que nunca foi…Nunca fomos mais do que amigos. Na minha inocência juvenil deconhecia que a profundidade da nossa ligação era mais que uma simples amizade. Entretanto cresci, mudei de cidade e de escola. A livraria essa ficou perdida nessa outro tempo, nessa outra cidade da minha vida. Hoje voltei lá. Estava em ruinas. Trespassa-se dizia o sinal. Os olhos de arco-íris e o seu dono, desvaneçeram no ardente céu na bruma do amanheçer.

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